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Medo de viajar de avião

Eu viajo constantemente de avião desde pequena e, desde pequena, fico pálida, com as mãos e os pés suando e a respiração ofegante antes de voar.
 
Isso nunca me impediu de embarcar numa viagem – conhecer novos destinos é o que eu mais gosto de fazer, além de ser o meu trabalho hoje em dia –, mas admito que as horas dentro do avião são extremamente tensas pra mim. Com a prática desenvolvi alguns truques, manias e pseudosoluções que me ajudam a ter voos mais tranquilos e diminuem meu medo de viajar de avião. Pode ser que elas sirvam pra você também: vale testar.
 
SENTAR NA JANELA
Dizem que o ser humano tem medo das coisas que não consegue controlar. Um assento na janela ajuda a desmistificar a turbulência ao mostrar que o mundo lá embaixo ainda parece próximo, criando uma sensação de vigilância, como se você estivesse a par de tudo o que está acontecendo ou pode acontecer.
 
VIAJAR DE DIA
O mesmo vale pra pegar voos diurnos: não existe nada mais desesperador do que enfrentar uma tempestade no ar de noite, no breu, quando você não enxerga nada lá fora e fica sem referência alguma. Apesar de muitas vezes ser mais cansativo, chato e demorado, eu prefiro viajar de dia.
 
ACOMPANHAR O MAPA DE VOO
Parece que entender que ponto do globo o avião está sobrevoando, juntar isso com as informações que eu sei sobre turbulência e ter consciência de quanto tempo falta pra chegar numa área mais calma faz meu medo ir embora. Por exemplo, se o voo está passando por aquelas faixas do oceano mais escuras e a turbulência de repente fica forte, fico “monitorando” quanto falta pra chegar ao azul mais clarinho do mar e, em seguida, ao continente. Ligar o mapa virou minha primeira reação quando o avião começa a chacoalhar.
 
OBSERVAR OS OUTROS PASSAGEIROS
(e ver como eles aparentam normalidade mesmo numa turbulência)
Reparar nas pessoas ao seu redor, que continuam a fazer o que estavam fazendo antes da turbulência sem drama nenhum, ajuda a sair da histeria. Me sinto boba de ver meus vizinhos de assento vendo um filme sem pausar, lendo um livro sem parar e comendo a refeição numa boa quando eu paro tudo só pra… Ficar sentindo medo???
 
RESPIRAR, RESPIRAR E RESPIRAR
Pratico yoga há apenas um ano, mas foi tempo suficiente pra me ensinar a respirar melhor e a entender como esse simples e importantíssimo ato tem capacidade de influenciar (e muito!) a mente. Assim que uma turbulência vem eu me forço a ficar só no “inspira, expira” até passar o medo.
 
CONVERSAR COM A PESSOA AO LADO
Se for seu conhecido, ótimo, mas mesmo se não for, puxar papo com a pessoa no assento ao seu lado traz algum nível de familiaridade que vem junto com um pouquinho de segurança. Eu até já dei a mão pra estranhos no voo (ok, eu exagero).
 
BEBER VINHO
Apelar pro vinho na refeição é uma das táticas mais eficientes dentro do voo – sim, beber te deixa mais relax e, consequentemente, sem pânico. Tá certo que não é o mundo ideal pra se livrar do medo, mas pra mim é uma das coisas que mais funcionam. Tem gente que defende também tomar Dramin e outros remédios – eu acho que só piora tudo, fico morrendo de sono mas não durmo porque o medo não deixa e tenho um dia seguinte horrível.
 
LER O CARTÃO DE INSTRUÇÕES DO VOO
Precaução faz a gente se sentir, de novo, mais seguro e no falso controle da situação. Então vale sim pegar o cartão com as posições e instruções de pouso de emergência e prestar atenção no showzinho dos comissários pra lembrar: se o avião cair, nem tudo está perdido. O que nos leva a…
 
ENTENDER SOBRE TURBULÊNCIA
(e lembrar que a chance de um avião cair é de 1 em 2 783 874)
Turbulência é o nome dado às bruscas movimentações do ar em grandes altitudes – podem ser nuvens de chuva, oscilações de pressão, mudanças na temperatura ou as chamadas “tesouras de vento”, que são massas de ar que atingem de repente o avião. Para o medo passar, saiba que 1) os aviões são projetados pra enfrentar turbulências, até as mais severas; 2) os pilotos são avisados sobre as turbulência pelos radares; e 3) numa zona de turbulência, o piloto diminui a velocidade, o que faz o balanço melhorar. Ou seja, morrer num acidente de avião é algo muito, muito, mas muito improvável. E, se a gente sabe disso e lida com as probabilidades (num Airbus A330 a chance é de 1 em 2 783 874), por que não confiar na matemática?
 
FOCAR NO DESTINO DA VIAGEM
(ou na volta pra casa, que também é gostosa depois de um tempo fora)
E, por último, lembrar que viajar é a melhor experiência que existe, que traz os aprendizados mais verdadeiros e profundos de vida. Conhecer o mundo é uma dádiva que nem todo mundo tem a chance de vivenciar. A gente sabe, mas não custa lembrar: não vale a pena deixar o medo de viajar de avião estragar isso.
 
A AUTORA: Anna Laura Wolff

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